Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

Ele apertava-lhe a mão com tanta força, tanta.

Choravam por dentro, não porque tivessem vergonha, não porque temessem que os olhassem. Até o tempo que sempre passava a correr, parara.

Queria-o ali, com ela. Queriam-se juntos.

Quando chamaram pelo seu nome, levantaram-se, ele primeiro.

E a mão, a mão que a apertava tanto, tanto!

Despiu-a, no vestíbulo. Devagar, assim, tal como ele sabia que ela gostava. E beijava-a muito e falava baixo, tocando-lhe o seio, afagando-o com todo o cuidado.

Era incapaz de o olhar por fora. Só por dentro, suplicando que ele lhe dissesse que estava ali, que não ia embora. Riam e o riso a cair-lhes no medo imenso que sentiam.

 
Deitada, olhava-o, via-o chorar.

Queria sentir a dor da mão dele na dela com tanta força, tanta, e, não a outra dor.

E o tempo insistia em ficar quieto, tão quieto como os olhos daqueles outros que iam olhando o monitor, que falavam, que lhe mexiam no seio, o apertavam.

Quando ouviram que poderia ficar sossegada, que não havia nada a temer, que se esquecesse daquele dia, só quis a mão dele, aquela mão que apertava agora ainda mais a sua, tanto, tanto.

 

Ele levou-a para o vestíbulo e devagar, assim, tal como só ele sabia que ela gostava, vestiu-a.

Não a deixava que o olhasse por dentro. Não a deixava ver o quanto ele temera, como o seu coração batia, o quanto corria, o quanto chorava. E beijava-a muito e falava baixo, tocando-lhe o seio, afagando-o com todo o cuidado.

Foi então que ela o olhou, inteiro! Não se disseram nada senão um abraço apertado, tão mais apertado, que aquela mão, a dele, que apertara a sua, tanto, tanto…

E o tempo, já pronto para iniciar uma nova corrida, sentindo a força de tal abraço, ali, naquele vestíbulo, não hesitou. Deitou-se no carinho de duas mãos apertadas…e adormeceu.

 

 

 



publicado por Cris às 01:00 | link do post | comentar | favorito

22 comentários:
De Helena Paixão a 19 de Abril de 2009 às 23:10
Que lindo Cris! Romântico e triste ao mesmo tempo... Parece-me a história de um casal que teve de se confrontar com o fantasma do cancro da mama, estarei certa?

Bjocas 'miga!


De Cris a 20 de Abril de 2009 às 20:11
Estás sim, Lena. Mas ele foi duma nobreza ímpar e vestiu-a como só ele, e, deixou lá, num caixote do lixo, aquele fantasma. Por isso, ela gosta tanto de o olhar inteiro e o acha tão belo por fora, mas, tão mais bonito, por dentro...

Beijo enorme


De Claras Manhãs a 14 de Abril de 2009 às 19:19
Os sentimentos nunca são sarados, diz-me a experiência, quando são assim tão sentidos.
Mas abrandam, minha querida.
Obrigado pelo que deixaste no claras, só hoje vi.

beijinho grande


De Cris a 16 de Abril de 2009 às 18:15
Sentidos, vividos silenciosamente, mas, nem por isso, menos acarinhados.
Um tempo belo para eles.
Abraço-te com carinho, amiga.


De Paulo Mello a 13 de Abril de 2009 às 02:39
Minha boa amiga Cris, acabou tudo, estou aqui desolado, infeliz, triste, mas determinado no meus propósitos. Houve aquela conversa séria entre mim e a princesa, mas descobri que nunca vou passar de um “sapo” na vida dela. Apesar de todo o carinho e consideração que ela tem por mim sei que nunca chegarei a ser um “príncipe” na sua vida. Apesar da milhares de desculpas que ela pediu por não conseguir me amar do jeito que eu mereço, como ela mesma disse. Confesso a ti, amiga, pelo imenso amor que dedico àquela garota, deixei meu orgulho de lado e a pedi em casamento mesmo sabendo do que ela sente por mim. Falou mais alto o meu amor e a minha necessidade de estar com ela, e o meu sofrimento foi maior ao ver a angústia em que ela ficou para apresentar as justificativas como recusa ao meu pedido. De todas elas, a que mais me doeu (e aqui vai uma demonstração enorme de egoísmo de minha parte) não foi nem a fragilidade da saúde que a impediria de me dar filhos, mas foi ouvir de sua boca que não sentia por mim o amor necessário para aceitar-me como marido. Isto sim, Cris, doeu até a última fibra do meu ser. Vim embora arrasado e sei que ela também ficou arrasada, pois a conheço bem e sei que para usar de tanta sinceridade deve ter doído nela também. Prometi que aceitaria continuarmos como amigos, mas vou precisar de um tempo enorme para isto.

Sei que vou continuar me preocupando com ela, principalmente depois de conversar com um primo dela que é médico e que a acompanhou na cirurgia que ela fez na França e que faz o acompanhamento dela ainda hoje. Ele confirmou para mim as limitações a que ela está exposta e mostrou-se também preocupado com os abusos dela relativos ao trabalho e falta de horário alimentar e de repouso. Mesmo me preocupando vou me afastar dela até conseguir “digerir” o fora que levei e poder vê-la como uma simples amiga... sei que esta é uma fórmula impossível de concretizar.

É isto aí minha boa amiga, o que deu aquele entusiasmo todo que senti ao viajar para fazer uma proposta de casamento. A minha Páscoa foi simplesmente horrível, apesar de todas as festividades de confraternização que participei com ela e seus "idosos e crianças" e também com a família dela. Não houve orações, nem ovo de chocolate ou bombons que adoçasse meus momentos depois da conversa que tivemos.

Aí está, amiga, a minha "via crucis" destes dias.

Sempre que houver um post novo por aqui, virei ler-te, o que para mim é sempre um prazer.

Por ora, aceite meu abraço fraterno e os agradecimentos por sempre “ouvir” meus queixumes de homem apaixonado.

Cumprimentos do
PMello


De Cris a 16 de Abril de 2009 às 18:23
Paulo,

Vim aqui hoje para te dar um abraço.
Não acabou.
Não paraste, tens um filhote maravilhoso que adora brincar contigo, uma história bonita, tens tanto, já te deste conta?
Vamos andar para a frente e... como tanta vez me diz uma amiga/mãe/irmã..."um dia de cada vez", Paulo.

Deixo um abraço para ti e 'bora levantar essa cabeça, menino :)


De Nuno de Sousa a 11 de Abril de 2009 às 18:16
Lindo minha boa amiga Cris, palavras para kê aqui sonha-se ao te ler, ao ouvir esta bela musica não consegui ouvir aqui mas clikei em cima e fui parar ao youtube e ali consegui ouvi, que dizer mais adorei...amor, ternura, sensibilidade... tanto neste teu belo texto...
Bjocas grandes amiga e uma Páscoa feliz para ti filhotas e restante família,
Bom te ter ai,
Nuno


De Cris a 16 de Abril de 2009 às 18:25
Tudo tem um motivo, Nuno...
A música? Só podia ser aquela :)
Obrigada por tudo.
Beijitos para ti e para a tua Paixão.
Vossa,
Cris


De crismestre a 9 de Abril de 2009 às 22:38
Levas-te à emoção com estas palavras, tão sentidas...
Que bem escreves amiga!
Será ficção, será realidade?
Fica bem amiga!
Bj e boa Páscoa.

PS:já recebeste o livro?


De Cris a 10 de Abril de 2009 às 00:10
Foi uma época muito intensa, para aquele par, xará. De uma ternura sem fim, ele para com ela.
Ainda não recebi o livro mas mal o receba digo-te.
Um beijo grande e uma Santa Páscoa para ti e os teus.



De Daniel Aladiah a 9 de Abril de 2009 às 10:45
Querida Cris
Aperto... afecto... amor... lindo!
Santa Páscoa
Um beijo
Daniel


De Cris a 9 de Abril de 2009 às 17:18
Tão belo um Amor assim...
Uma Santa Páscoa para ti também, Daniel.


De Adrian LaRoque a 9 de Abril de 2009 às 04:20
Era tão forte a minha imaginação que agarrei a mão dela e adormeci...


De Cris a 9 de Abril de 2009 às 17:16
Um abraço enorme, Adrian.




De Toze a 8 de Abril de 2009 às 22:50
Um texto duro e lindo. Deixo o silêncio como resposta...

Beijo-te


De Cris a 9 de Abril de 2009 às 17:12
Outro beijo, Tozé.



De Oui C'est Moi a 8 de Abril de 2009 às 19:43
Esta situação reportou-me para um hospital, para uma "sala de espera", em que o amor nos dá força até sabermos o que irá acontecer.
Se calhar interpretei mal.
Mas também senti o conhecimento de um perante o outro e do amor e carinho de um pelo outro.

Beijinhos Cris.


De Cris a 9 de Abril de 2009 às 17:11
Não interpretaste mal.
Quando é tão forte o que se sente, em situações como aquela, nada há que nos faça mais fortes do que sentir a mão do outro, na nossa.

Um beijo amigo


De Paulo Mello a 8 de Abril de 2009 às 14:02
Teu texto transmite uma emoção que não sei definir bem, pois ao mesmo tempo que vem carregado de ternura e poesia nos dá a conhecer uma situação que parece verídica, um momento que a mim pareceu como que tirado da vida real. Desculpe se interpreto desta forma, mas foi como fiz a leitura.

Achei de uma grande beleza este final:
"Deitou-se no carinho de duas mãos apertadas…e adormeceu." Como tu escreves bem, minha boa amiga!

Cris, estou indo ver minha (?) princesa, aproveitando o feriado da semana santa. Vamos ter uma conversa em definitivo. Se ela me aceitar, como eu espero que faça, iremos partir para uma união estável. Estou meio que confiante, pois estou levando até as alianças. Caso contrário... o jeito vai ser colocar meu orgulho no bolso, fazer a mala, e vir embora de vez. Uma coisa é certa, minha boa amiga, do jeito que estamos não dá para ficar, nesta insegurança toda e neste medo doido que tenho de perdê-la. Mas se ela não aceitar meu pedido de casamento, infelizmente vou ter que dar um adeus em definitivo, mesmo que eu morra por dentro e a vida acabe pra mim. Assim, ela fica "livre do meu amor" e eu fico livre desta angústia que me causa a sua indecisão, que aliás me parece mais falta de amor.

Bem Cris, lá vamos nós mais uma vez, tentar ser feliz de vez ou entrar no campo da infelicidade de vez também.

Receba meu abraço afetuoso de sempre. Que sua Páscoa ao lado dos familiares e amigos seja inundada de muitas doçuras.

Com os cumprimentos do amigo
PMello




De Cris a 8 de Abril de 2009 às 18:46
Que tudo te/vos corra bem.
Até um dia destes, Paulo.
O Lugarejo fica aberto a todos os passeios que possam querer, por aqui, dar.


Beijo,
Cris


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