Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

 

Dez anos.

Não calculas o que aconteceu desde então, desde que disseste, depois de te manteres em silêncio todo aquele tempo, que “estavas pronto, que podias ir”.

Será que nos ouves, aí em cima? Todos os nossos silêncios, todas as nossas saudades?

Será que ouves todos abraços, todos os beijos que, tanto gostaríamos que fossem iguais aos teus, quando ao abraçares a mãe, nos abraçavas?

Onde quer que estejas, não deixes de nos olhar e desculpa continuarmos a pedir-te tanto, tanto!

Lembras-te quando, a brincar, nos dizias que iríamos sentir a tua falta?

Nós ríamos e dizíamos que não!

 

Olhamos as mãos, afagando ternamente aquela tua pergunta.

Choramos.

Imaginávamos lá como a saudade se tornaria tão incomensurável.

Imaginávamos lá a felicidade que era chegar lá a casa, agora, olhar o sofá, e, não ver assim, tão cheio de um vazio tamanho!

Nunca se está pronto, acredita.

Dez anos., Pai

Acredita que ainda nenhum de nós está pronto para te pensar e não conseguir dizer mais nada a não ser o quanto desejávamos que estivesses aqui.

 

 

Fotografia de © AUGEN-KLICK

 

 

Ver-te! Ainda que por um segundo
Imaginar que estás na sala...
Rindo, gargalhada cheia, sonora,
Intensa, transbordando alegre
A tua tão terna forma de amar!
Tu! Tão grande, tão gaiato, tão Pai!
Oh! Como dói saber o que é saudade!

Já sequei as lágrimas
Os meus olhos tornaram-se baços,
Secaram, fizeram-se desertos
E nem sombra dum oásis.

Serenamente, sem um adeus ou um até já
Olhos postos na tua mulher, companheira e mãe
A janela pediste para abrir,
Rindo, como só tu, boca cheia de alegria,
Esperaste que nos distraíssemos e...
Sorrateiramente... foste, Pai, embora.

Dói, saber o que é saudade!
E...

Mesmo sabendo que nos estás olhando
Imaginando-nos na sala, tentando
Rir, lembrando a tua gargalhada cheia,
A noite vem devagar, trazendo com ela um
NUNCA MAIS!
Dói, Pai, saber o que é saudade,
Aquela certeza de que, na sala, o sofá está vazio!

 



publicado por Cris às 00:42 | link do post | comentar | favorito

10 comentários:
De O Repórter Alentejano a 22 de Junho de 2009 às 19:21
Cheguei aqui atrás de fotografia, como amante super amador de fotografia que sou.
Palavras? Já tentei... Nunca sai nada! Apenas o vazio de ideias que se baralham a si próprias...
Ser pai de uma estrela assim, de uma pessoa que se exprime de forma tão profunda e cativante foi certamente um orgulho. Dez anos? Para quê contar o tempo quando a memória se mantém sempre viva? Mas é bom recordar... Recordar para que quem cá fica ver que não se esquece.
Achei curiosa a estrutura desta pequena (mas grande) composição, até porque aqui há algum tempo tentei, por outros motivos, fazer o mesmo... Mas tenho que admitir que nada mais certo que a sabedoria popular: "cada macaco em seu galho!" ... ... e deixar as palavras para quem as sabe utilizar.
Certamente lá em cima teu pai se orgulhará de ti.
Beijito,
O Repórter Alentejano.


De Cris a 23 de Junho de 2009 às 01:23
Para quê, perguntas bem, Amigo. Antes contar todas as gargalhadas, todos os olhares, todas as conversas... E perco a conta, e, no meio desta felicidade boa, esqueço-me de continuar a contar.:)

Um beijo, Repórter

Belas aquelas tuas fotografias sépia!


De Fatyly a 8 de Junho de 2009 às 10:43
Um data marcante e sempre repleto de saudade. Como te comprrendo tão bem!

O acróstico está uma delícia e com este post "o sofá na sala" ficou repleto de TUDO!

Adorei!

Beijocas fiota e sorri como ele tanto gostava!


De Cris a 8 de Junho de 2009 às 22:57
Fico contente porque regressaste. Um beijo grande. Continuação das melhoras da tua Mãe, Amiga. Tanta saudade de ti!


De Nuno de Sousa a 7 de Junho de 2009 às 18:10
Grande e belo momento por aqui... as saudades que aqui descreves são momentos únicos e belos de quem merece ler o que escreves e os sentir onde quer que esteja... são momentos deste que se eternizam em palavras...adorei.
Miguita :-)
Mandei-te um email por causa do livro que vai sair não esqueças de responder ao mesmo espero que positivamente pois claro :-)
Bjs
Nuno


De Cris a 8 de Junho de 2009 às 23:03
Quando podemos dizer, afirmar, com todo o Amor, que tivemos o Melhor Pai do Mundo, Nuno, nada mais se acrescenta, não é?

Recebi o mail, sim. Tenho tido uns problemas com o pc, não venho tanto quanto vinha, mas, conta com a minha resposta o mais breve que me for possível, Nuno pois sei que tens um prazo a cumprir.
Beijo à tua/nossa Paixão.
Tudo de bom para os dois.
Beijo amigo,
Cris


De paranoias a 4 de Junho de 2009 às 00:04
Botou uma saudade grande...visualizei como se fosse ontem...
que bem escreves...
quem dera poder escrever assim
Bjocas grandes priminha....e mãe Eduarda


De Fernanda Paredes a 4 de Junho de 2009 às 00:19
Tão bonito, tão cheio de saudade! Tenho um assim, a falar também com o meu! Parabens e agora venha um alegre porque os pais querem ver os filhos sorrir!...Um abraço


De Cris a 4 de Junho de 2009 às 01:18
Espera pouco, Fernanda que vou procurar uma história super cómica que se passou. Claro que ele adorava rir! Se havia bom contador de histórias, ele era um deles! Sou suspeita..rsss...Para mim, ele era o Melhor! O Pai Miranda era um poema, acredita!
Hoje é que bateu esta saudade enorme! Bate sempre, mas hoje, hoje encheu-me por dentro, por fora.

Um beijinho enorme e obrigada, Linda ***



De Cris a 4 de Junho de 2009 às 01:13
Era uma delícia, não era, primita? Tanta brincadeira, tantos daquelas reuniões com a maltosa toda lá em casa! Era um fartote de rir!
E ele quando falava com o teu pai, o meu tio doce, e dizia: -Ela já é mais sua filha que minha!
E os Natais em tua casa? E aquelas nossas sessões de "estudo"?
Já temos umas quantas histórias para contar, Linda!

Beijitos e a gente vê-se, claro!



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