Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

 

 

Vem a nostalgia que pousa, subtil, no colo. Olhar, emocionada, o percurso dum rio, daquelas duas margens que deixaram de ser paralelas. Não havia impossíveis para eles, por tão singulares serem.

Guardar na caixinha de biscoitos, a mais bonita história.

Sentir um odor doce, quando a abria.

Nela guardo os momentos deles, belíssimos, porque, sem mesmo saberem, sequer imaginarem, já estava a ser, em cada beijo por eles partilhado, concebida uma outra, [julgávamos], igual à deles.
………………

Fecha-se a caixa, aquela história única.

Talvez que se abra, um dia, quando não doer o plural em que nos tornámos, ou, ouso dizer, que sempre fomos.

 

 

 

 

 

Fotografia de © ioana petcu

 

 

 

Se nos tivéssemos navegado?
Se tivéssemos sido, em nós, viajantes?
Se houvéssemos dito que era tempo de outros oceanos,

de terras nunca antes visitadas?
Se tivéssemos sido a nossa escolha?
Se essa escolha tivesse o nosso nome?

Tanta pergunta!
Não queria devassar a letargia,
esse espaço que se dividiu,

que mudou,

que agora é:

o teu,

o meu.

Pensar que por momentos, estivemos tão perto,
Que semeámos desejos ao acaso
que se matizariam naturalmente...

Porque nos houvéramos prometido que seria assim.

Desnecessário o pousio.
A nada chamávamos “meu”.
A tudo chamávamos “nosso”,
Queríamos, como queríamos!
Fomos quimeras,
absorvemo-nos em gestos lentos,
demorados.
Acompanhámo-nos,

e,

ainda que só na [nossa] imaginação,
fomos:

Eu,
[e]
Tu,

 

Singulares!

 

 



publicado por Cris às 00:04 | link do post | comentar | favorito

6 comentários:
De Helena Paixão a 12 de Julho de 2009 às 22:34
É assim a vida, feita de esperanças e ilusões, feita de desenganos e decepções. E nada do que foi voltará a ser, pelo menos não exactamente da mesma forma.

Lindíssimo poema Cris. Está escrito de uma forma tão sublime que a nostalgia nele contida passa para nós.

Beijinhos!


De Odele Souza a 10 de Julho de 2009 às 00:04
Cris,

Esta música que está a tocar é muito linda.

Lindas também são as fotos que aqui colocas. Tamb;em gosto de teus textos que demonstram muita sensibilidade de tua parte.

E amiga, obrigada por tua visita e comentário no blog de Flavia. Quanto à tua linda Maria João, por favor, eu não fiz nada por ela, apenas a recebi em minha casa com o carinho que tu e ela merecem por serem tão gentis como são as duas.Máe e filha.

Deixo-te um forte e carinhoso abraço.



De Adrian LaRoque a 7 de Julho de 2009 às 00:01
Gostei! Come sempre!


De Fatyly a 4 de Julho de 2009 às 12:04
Foram "um/único" e hoje ao abrir "a caixa dos biscoitos" o perfume não deixou de ser "único" mas recordado/apreciado separadamente.

A vida é assim e não há como dar a voltar mas sim aceitar!

Gostei muito e a foto é lindissima.

Beijos linda e um BFS


De Cris a 4 de Julho de 2009 às 14:44
Não há histórias iguais. Poderão ser similares, mas, iguais? Se algo é único não se repete porque não como, Fatyly.
Fechou-se a caixa, ponto final!
Recordar (confundir "ficção" com a realidade pode ser doentio, se em demasia, e, como tudo que é demais é moléstia, há que saber parar! Já chega de "doenças".)
Parei!

Que o teu fim de semana seja pleno de bom, também.
Beijo.


De Cris a 4 de Julho de 2009 às 14:47
Corrijo:
Onde escrevi: "Se algo é único, não se repete porque não como" queria dizer: "...porque NÃO HÁ como..."

Mais um beijo ou um abraço apertado, Amiga.


Comentar post





mais sobre mim
Dezembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


Artigos recentes

 


...

Bonança

Ti'Mariquinhas, mãos chei...

Infinito

...

...

Viagem

Serenidade

Triste Forma de Amar

Não deixes de nos olhar

Arquivo

 

Dezembro 2009

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Outros Lugarejos



A-manh-ser
adesenhar
Ao Sabor do Vento

Branco e Preto II
By The Canon Viewfinder

Claras Em Castelo
Claras Manhãs
(A) Clareira
Codornizes
Chris

Da Condição Humana
Dias Desiguais
Doce Modo de Olhar a Vida

Entre Tempos Que Se Tecem
EREMITÉRIO
Estórias de Bicharocos e Bicharada
Estrada de Santiago
(O) espaço azul entre as nuvens
Estúdio Raposa-Luís Gaspar

Flávia Vivendo em Coma

Golden Oldies

Humores

Ilha dos mutuns
(In)Perfeições
Intemporal
It’s going to be, hold it, legendary

(O) jardim e a casa

Madrugadas de Volúpia
Mar de Sonhos
Menina Marota
Microargumentos
Migalhas
Ministério da Soltura

Na Linha das Linhas
noVI TÁ
Nuno de Sousa

Outros Olhares

Palavras da {{coral}}
Palavras em Desalinho
Partilhas
Plan(o)Alto II
Poemas de Amor e Dor
Poesia Portuguesa
poetaeusou...
Poetizando a essência de mim

Reflexões Caseiras
(O)Repórter Alentejano
Revelações...Avulsas

Sal p!car te
Sidadania
Silêncios da Minha Alma

Traços e Letras
Truca-Luis Gaspar

Um olhar sobre...
Uma Nova Cubata

Velas ao Vento
(O) Vento Contra a Cara
Vida de Casado

Webclub
Words


Lugarejos que me encantam



Comércio e Tradição
Fotolog de Ana Rita Pinto

Anúncios grátis
blogs SAPO
subscrever feeds