Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

 

 

 

 

Fotografia de ©Yuka Shevchenko

 

 

 

Comprazemo-nos
trajando adolescências,
abafando o som dos risos,
quando nos espreitamos à socapa,
pela cortina que afastamos
na janela dos nossos dedos.
 
Deleitosa esta espécie de olhar de garotos,
nesta ciranda em que dançamos,
visualizando-nos tão bem,
que nos tocamos.
Fundamental saber o que amamos tanto
com as mãos do imaginário,
com os olhos rasos de mil pedaços,
nesta imagem de estarmos juntos.
Relevante que nos emocionemos
ao experimentar com análoga intensidade
desenlear do tempo comum,
o tempo só nosso.
Singular a carência de cruzarmos silêncios,
de não nos deixarmos concluir,
numa interrupção atabalhoada
própria do desejo de nos mantermos conspirados.
 
Temos ainda tanto para trocar entre nós.
Temos um mundo próprio,
esta paisagem pré concebida,
grafitada num muro de uma avenida qualquer,
só pelo prazer de nos vermos
quando por ela nos circulamos.

Importa o resto?
Claro que não!
Importa que continuemos a compartir silêncios ilimitados.
Enquanto continuarmos nesta permuta
Importam-nos sim,
as frases,
imagens nossas que prendemos na lapela,
condecorações deste bem-estar que cogitámos:
Falta um infinito imenso!
Falta o inimaginável para que nos dissipemos!

 



publicado por Cris às 00:33 | link do post | comentar | favorito

11 comentários:
De Adrian LaRoque a 27 de Outubro de 2009 às 15:04
Adorei o poema, mas fico curioso as entradas no blog pararam, falta de tempo?


De JoãoGouveia a 13 de Agosto de 2009 às 07:14
Parabéns pelo teu espaço que tem tudo para ser mais interessante e melhor.


De paranoias a 11 de Agosto de 2009 às 22:57
Como sempre música linda e uma escrita que convida a sonhar...
Bjos grandes priminha


De Adrian LaRoque a 9 de Agosto de 2009 às 05:17
Excelente!


De Fatyly a 6 de Agosto de 2009 às 08:55

Ora bem...afinal o FIM desapareceu  
Força e uma grande beijoca


De Fatyly a 5 de Agosto de 2009 às 21:33

Como não deixaste aberta a caixa dos comentários vim aqui deixar-te um grande abraço e dispõe sempre quando precisares.

Chegou ao fim o blogue mas a vida continua e acharás que tudo na vida faz sentido, demora a percebermos, mas tem sim.

Um abraço enorme como uma mãe sabe dar...e beijos muitos!



PS: se o abrires avisa


De Helena Paixão a 23 de Julho de 2009 às 22:41

Olá! :-)

Tens um mimito meu em http://premios-estoriasbicharada.blogspot.com/



De Paulo Mello a 22 de Julho de 2009 às 13:26

Importa o resto? Claro que não, Cris! Importa que continuem a compartilhar silêncios ilimitados... há tanto ainda para ser trocado...


 


Um belo e grandioso poema onde tudo é dito de forma a mostrar que ainda falta um “infinito imenso” a ser percorrido.


 


Um belo dia para ti, Amiga, preenchido com momentos de ALEGRIA e PAZ.


 


Um abraço fraterno do amigo,


PMello



De Cris a 22 de Julho de 2009 às 20:05
Dentro de mim, sim. Fora? Sei que não. Por isso passeio pelo imaginário, essa quimera sem limite.
Obrigada, Paulo.
Abraço e tudo de bom para ti


De Fatyly a 22 de Julho de 2009 às 08:21


Fundamental saber o que amamos tanto

com as mãos do imaginário,

com os olhos rasos de mil pedaços,

...............................

 

O "Infinito" algo sempre "inimaginável para que nos dissipemos" no turbilhão de sentimentos de quem "ama" sem limites.

 

Um magnífico poema, lido calmamente e ao som da chuva que caí.

 

ADOREIIIIII!

 

Beijocas e um BOM DIA!


De Cris a 22 de Julho de 2009 às 20:08
Chove, choro...chovo...
Um beijo, Mãezona.
Que o pimpolho venha e que tenha toda a Felicidade que merece. Nada melhor do que um neto, um filho, Amiga para encher a Alma!


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