Sábado, 31 de Outubro de 2009
Aquele tempo fora deles. Agora, separados pela distância dum, até um dia, poderia olhá-lo, pensá-lo ali…
Chorava, sem vergonha de esconder as maçãs do rosto de tanta saudade e prometeu que, pela bonança dum passeio pelo sonho, valeria a pena esperar.

Fotografia de © Irina Kuneva
Talvez que chegasse até ele
O barulho da cascata,
O seu pranto.
Lágrimas que rebolavam
Que caíam
Em cataratas de soluços.
Estava já longe do que viveram,
Estava no leito,
Ela e toda a lembrança,
Iluminada por uma lua cheia.
Chorava
Mas não o deixaria ir,
Sair-lhe do pensamento,
Ainda que se sentisse
Encharcada por tanta tristeza,
Ainda que não houvesse tido um tempo aliado.
[Mais tempo,
Todo o tempo do mundo.]
Ficaria até ao fim,
[Ele que lhe dissera que não havia fins,
Que coexistiriam nos interregnos,
E, que tudo repetiria...]
Imaginando-o a pensá-la
Tal qual um mar de águas aquietadas
[Aquele que uma vez lhe pedira.
Como ela tanto queria, ter ido com ele, ver o mar!]
Bastar-lhe-ia uma gota.
Molharia nela o pincel,
Pintaria um arco-íris
Naquele céu que os cobriu,
E dar-lhe-ia
Uma obra-prima,
A nascente dum sorriso,
O seu,
Quando o tempo os unisse
Naquela praia de novo.
De Fatyly a 13 de Novembro de 2009 às 22:12
Um beijo em silêncio e desejo-te/vos um bom fim de semana.
De
Cris a 14 de Novembro de 2009 às 14:42
Obrigada, Fatyly. Estou à espera que chegue a Pickles mais velha, que anda às voltas com o mestrado.
Venho aqui menos vezes, já te deste conta, por certo, mas, venho, já que, apesar de tudo, ainda é um espaço onde gosto de estar.
Beijo doce para ti e toda a tua prole bonita e as tuas melhoras.
Tuas,
Cris e Pickles***
De Vasco lyuis a 13 de Novembro de 2009 às 20:34
Olá Cris
....
tens aqui uma musiquinha linda, de quem é?
nem imaginas as saudades....
De
Cris a 14 de Novembro de 2009 às 14:51
Olá, Vasco,
A música é de um músico e compositor óptimo, Andreas Vollenweider, suiço. Basta olhar o "stick" para ver o nome da música e o autor.
Bom fim de semana e obrigada pela visita.
Demorou... o teu regresso... e que regresso! Com um poema lindíssimo, preenchido de nostalgia e doçura. Adorei, especialmente a forma de promessa com que termina.
Beijocas muito graaandes!
De
Cris a 8 de Novembro de 2009 às 14:42
Obrigada, Lena.
Um maravilhoso Domingo para ti.
De
marta a 3 de Novembro de 2009 às 17:57
Minha querida
é sempre o que me espanta e deixei-o dito de maneira bem diferente, mas a pergunta sempre a mesma:
porque se deixam as pessoas, se, ainda por cima, parecem almas gémeas?
Haverá resposta para isto?
beijinho meu doce
De
Cris a 3 de Novembro de 2009 às 20:09
Parecem, dizes bem, Marta. Acho que não há pior desilusão do que crer, mas CRER, mesmo que se conhecem as pessoas, e, mais, encher a boca com o melhor sentimento: acreditar na alma gémea.
Mas há coisas inexplicáveis, e, mais do que isso, há a mentira que tem a perna curta, Marta, mas tão curta!
Deixo-te um beijo.
De Fatyly a 3 de Novembro de 2009 às 13:50
Chorava
Mas não o deixaria ir,
Sair-lhe do pensamento,
Ainda que se sentisse
Encharcada por tanta tristeza,
Ainda que não houvesse tido um tempo aliado.
...................................
mais um momento lindissimo em que li e reli e voltei a ler.
Palavras para quê? és uma poetisa fantástica e primas na escolha das imagens.
Beijocas fiota linda
De
Cris a 3 de Novembro de 2009 às 19:59
Um beijo enorme, do teu tamanho.
Desculpa o meu silêncio, mas, estou contigo, e, sei-te comigo. Adoro-te, Mãezona.
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