Domingo, 26 de Outubro de 2008

 

 

Fotografia de © Mical Aloni
 
 
 

Penso-te,
Qual cascata de gotas,
Lágrimas emocionadas que te envolvem.
 
Enquanto os gestos se ajeitam
Ternamente,
Tal como quando se completavam
Ao desaguar naquela baía,
Aquela frase que me deste:
Adoro amar-te!”,
Meus dedos levam-me
A correr,
Célere,
Por cada pedaço de ti.
 
 

 



publicado por Cris às 15:29 | link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito

Sábado, 25 de Outubro de 2008

 

Fotografia de © Cristina Mestre 2007

 
 
Ontem…
 

Quando vagueamos por aí, ao sabor de uma lembrança que deixamos que ondule, que queremos que se assemelhe a um mar, colhemos um pedaço de sol com que adornamos a face. Demoramo-nos o bastante para que germine o sorriso e no final do dia sentiremos a frescura de um momento: esperar pela noite e assistir a um dançado único! Seremos espectadores de uma lua que se desnuda, desvendando delicadamente a sua tez cor de pérola! Vê-la-emos graciosa, nos braços robustos do oceano azul, rodopiar numa pista atapetada de tanta satisfação.
É neste enlevo açucarado das palavras que nos despojamos do tempo, sentindo o doce toque daquelas pedrinhas roladas que nos trazem estes encontros bonitos que com tanta ternura nós vamos apanhando e guardando.

 Fotografia de © Cristina Mestre 2008

 

Hoje…
 
 

Talvez que a lembrança se demore pela paisagem, tal como o tempo, quando se excluía de tudo, para se inebriar com a fantasia dum campo de mar…

Tépida a água daqueles rios que enterneciam as margens, que as juntavam. Aquecidos pelo sol, despiam caudais e festejavam a chegada do baile da lua.

Era o tempo em que a espera se tornava luminosa, enquanto a noite acabava de se aprontar, afinando a voz.

Belo o instante, belo assistir ao calar do silêncio.

Só a música e aquele bailado.

Só a calma e o estio e o iniciar duma viagem, como um cerimonial, uma antemanhã meio doce meio salgada que nasceria na ilusão de uma praia…

 

 

 Fotografia de © Cristina Mestre 2008

 

Amanhã…
 

Estarei descalça, embriagada de vontade de trazer a ansiedade da cor que experimentei, então.

Conseguirei pensar-te, quase ver-te, aí, nesse lado, passeando o silêncio pela mão…

Andarei de cá para lá, neste areal imenso, tentando arremessar para longe a solidão que é agora a minha doce companheira…

Se ouvirmos o ruído da espuma, não paramos.

Não nos concebo a olhar para trás.

Haverá longe, haverá distância.

Só faltará o que sentíamos. Faltará o passado prenhe da frase que nos acompanhava:

… Não mais sentir a falta da falta que sentíamos de nós!...

 

 

 



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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

 

 

apesar da chuva, será sempre aquela, a minha frase favorita. apesar de tudo, não se gastou o sentimento. não há fins. creio nos interregnos. mereço deambular nessa terra de ninguém, pois que: "pela noite adiante, com a morte na algibeira, cada homem procura um rio para dormir."ou, como tu também disseste:"Cada sonho morre às mãos doutro sonho".

mostrei-te as mãos. entendi-te. acredita que senti, de novo, que voltava esta estúpida vontade de chorar, de fechar o livro, de cegar, de me aborrecer contigo, de guardar aquela frase favorita, mas, parei, quando me apercebi como as olhavas, dizendo delas, aquilo de que não fui capaz, e não ceguei, não me zanguei apenas as calei  nas tuas para te escutar como merecias ser escutado:

"Que tristeza tão inútil essas mãos que nem sequer são flores que se dêem: abertas são apenas abandono, fechadas são pálpebras imensas carregadas de sono.

 
Dizer-te-ia este:
39.
 
Nesse Lugares,
nesses lugares onde o ar
perde a mão,
os meus amigos começam a morrer.
 
Falar tornou-se insuportável.
Falar dessa luz queimada.
Deserta.
 
Que fazer desta boca,
do olhar,
tão perto outrora de ser música?
 
De seguida, este outro:
 
ONDE OS LÁBIOS
 
Os lábios.
Distante, arrefecida chama.
nâo só os lábios, também as estrelas
são distantes.
E os bosques. E as nascentes.
Também as nascentes são distantes.
As nascentes onde os lábios,
onde as estrelas bebem.
Só o deserto é próximo, só
o deserto.
 
Saudosa, ouvir-me-ias:
 
EM FLORENÇA, COM A FIAMA
 
Era em Florença, num verão sem usura.
A cidade, que nós víamos de San Miniato,
desfazia-se em luz.
Nos labirintos do Jardim Boboli,
tu e um melro rente à relva
cantavam um para o outro.
Não sei qual das vozes era mais pura,
se a do fio de água que subia
no canto do melro, ou, mais frágil
e rente ao chão, a tua.
 

não vás já. espera só o tempo dum pedaço do poema que me lerias, omitindo o título que ambos sabíamos, mas que não ouso proferir:

[...]
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro
          nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao
          outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes
          verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
 
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um
aquário,
era no tempo...
 

não aguento este diálogo. falas tanto, tanto, mas a palavra existia, ainda que dissesses que não. era um peixe, duma outra cor, bem sei, mas era um peixe. dizias que não, mas continuavas, como eu, a acreditar nos teus olhos, tal como eu acreditava nos meus. ainda acredito. estão vivos, vêem, ainda que depois da bonança venha a tempestade.

pedimos muito, Eugénio, e, "não se pode estar sempre a pedir, senão, as palavras desgastam-se e há as que não podem nem devem ser desgastadas, pelo valor que têm.

não é por se dizer que se Ama o Outro que se prova o sentimento. antes de tudo é preciso sentir e eu, Eugénio, só queria ouvir... (atrevo-me a invadir o que sentes enquanto te calas e me escutas) será que também te chegou aquela estúpida vontade de chorar? será?

antes de tudo é preciso sentir e naquele momento só queria ouvir. foi assim, contigo?

vou largar as tuas mãos agora que já te disse tudo.
fico mais um pouco.

vai, que "passaste os dias a pôr sílabas sobre sílabas. Dorme, estás cansado." acredita! "Espanta-me que estes (meus) olhos durem ainda, que as suas pedras molhadas se tenham demorado tanto a reflectir um céu extenuado em vez de aprenderem com a chuva a morder o chão."

vai, Amigo, que, ainda assim, aquela frase, proferida por Alguém, não menos importante que tu, não menos importante que eu, depois de tanto termos conversado, ainda é, de todas as que proferimos, minhas, tuas, e, era isto que te queria dizer, (não tivesses tu ido, antes do fim, ou será o início?...), a minha preferida.

estou a pensar no que disseste:

 

Ainda sabemos cantar,
só a nossa voz é que mudou:
somos agora mais lentos,
mais amargos,
e um novo gesto é igual ao que passou.

Um verso já não é a maravilha,
um corpo já não é a plenitude.

 

só queria um regaço para que me deitasse, e, ao som da melodia das tuas pisadas sobre o areal, adormecesse. talvez que o sonho voltasse, sabes? talvez que ocupasse o lugar desta tempestade que não passa, não passa, não passa.

quando voltará a ter toda a importância o gesto, Eugénio? quando?

 

 

Nota:

 

Todos os poemas, todas as frases em negrito e itálico foram retiradas de alguns dos livros de Eugénio de Andrade.

Obrigada, Eugénio.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

 

 

Lembras-te? Quando o tempo andava longe, tão longe, abstraído de tudo? Lembras-te que para pintar um céu, trepou para o horizonte?

Lembras-te de o vermos rir, por ter criado um azul tão forte que o estonteava?

Éramos dois e o tempo nunca se deu conta que foi ali que nos encontrámos, enfeitiçados pelo reflexo dum azul que ele, lá longe, criou, não imaginando sequer que o fizera, só para nós.

 

 

 

Fotografia de © Magda Marczewska

 

 

 

Corríamos sobre Abris,

saboreando cores.

Trincávamos tanto verde,

lambuzando-nos de vermelho.

No azul mergulhávamos,

aquecidos por um amarelo frágil.

Estendíamos o pensamento pelo Estio

olhando um firmamento quase negro

com salpicos de prata.

Deitávamo-nos sob Ocasos.

Perdíamo-nos a ver pousar o alaranjado

sobre um castanho doce,

descansando em tons dourados.

Repousávamos acendendo Invernos

juntávamos-lhes achas rubras,

víamo-las crepitar flamejantes

ao som dum branco que se deixava cair,

em flocos de algodão doce,

lá fora.

 



publicado por Cris às 02:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

 

 

Não cansa pensar-vos.

Pudesse eu

fazer nascer Primaveras

de cada vez que vos olho.

 

 

 

 

Fotografia de © Ana Rita Pinto

 

 

 

 

Das árvores,

Cairiam folhas,

Letrinhas em forma de pétalas.

Pejar-se-ia o chão de palavras

Daquelas que gostamos de sentir

Como quando se pisa a relva

Muito macia

Nos pastos,

Como se do céu

Se tivessem soltado,

Quais pedacinhos de algodão,

Por tão fofos!

 

O chão seria fértil,

A ponto das palavras se juntarem,

Florescendo em frases,

Formando poemas loiros,

Ou mesmo cor de papoila…

 

Se eu pudesse,

Diria ao sol

Para que,

Só hoje,

Conseguisse nascer pequenino

Com ternura de menino,

Alvo, rosado,

Sorrindo.

Abraçaria as árvores,

Com seus bracinhos roliços,

Como que pedindo mimo.

Elas deixariam cair folhas

Com tal ternura

Que formariam na terra,

Um colchão,

De poemas feito.

 

E, abanando docemente os ramos,

As árvores, inclinar-se-iam

Entoando canções de ninar.

E os pardalinhos,

Ao ouvi-las,

Viriam trinar com elas,

Melodias que uma princesa

Lhes ensinou,

E o sol,

Ainda menino,

Adormeceria feliz…

 



publicado por Cris às 01:48 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

 

MADRIGAL

 

Tu já tinhas um nome, e eu não sei

se eras fonte ou brisa ou mar ou flor.

Nos meus versos chamar-te-ei amor.

 

"as mãos e os frutos"

Eugénio de Andrade

 

Fotografia de © William Manning/Corbis

 

 

Apesar da chuva,
Despontam sóis
Num céu
Cor-de-rosa.
 
Apesar da chuva,
Florescem belas margaridas
Das mãos delicadas dos jardins.
Mariposas
Pululam,
Quase pousando nos mil e um botões de rosas rubras.
 
Apesar da chuva
O verão continua crescendo
No ventre da materna invernia.
 
Apesar da chuva,
Adivinha-se já um sol
Naquela abóbada rosada.
Vai envolver-se, ladino,
Matizando as boninas
Com raios cálidos,
Fazendo com que se juntem no chão aveludado,
Incólume de intempéries…
Qual Éden.

 

 



publicado por Cris às 02:11 | link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito

Domingo, 19 de Outubro de 2008

 

 

 

 

 

Sobre a mesa,

uma chávena de chá…

À superfície, um reflexo.

Doce sabor aquele,

(e)terno olhar!

 



publicado por Cris às 16:29 | link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

 

Emoldurados naquele pedaço de noite, nada mais importava, senão matizar, com a única palavra que cabia entre eles, um desejo. Lançá-lo-iam às estrelas, depois. Mas antes, antes, iam vivê-lo intensamente!

Riam, pedindo que se dissessem o que já se haviam dito mil e uma vez, com tanto beijo, nas mãos, no rosto, na alma.

Fecharam ambos os olhos…E naquele silêncio, ouviram-se, e tiveram, a partir daquele instante, acompanhados pela melodia delicada da noite, para todo o sempre, um tudo imenso.

 

 

 

The Honeymoon © Corbis 1890-1900

 

 

 

ignoramos as horas,
ainda que leves...
calam-se as palavras,
emergem,
para que sejam só
dois corpos imersos
num sono único...

sou mar,
sinto-me mar,
e espero que naufragues...
abro-te os olhos,
descubro pérolas
que atiro fora...
é a ti que quero!
simulo que adormeço,
para que me olhes,
antes de te envolver

transforma-te em ondas,
vê como finjo que descanso,
mas só espero que naufragues
e que em mim te afundes...

ignoramos as horas,
ainda que leves,
para sermos os dois,
afastados de todas as palavras

talvez que elas nos inventem,
à superfície.
mas aqui, sou eu, tu,
a volúpia de nos termos...

 

...e nada, mas nada mais, nos importa!

 

 

 



publicado por Cris às 01:25 | link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

 

 

Fotografia de © LGB 2008

Fotografia de © LGB 2008

 
 
 
 
Na ponta dos meus dedos
Consigo a maior das sensações.
Arrebatar desta galeria de vidas
A inexplicável vontade
De ser o fim de algo
E acomodar entre um pôr de lua
E a orla duma tempestade,
A semente do futuro.
 
Intensa sensação esta!
 
Na ponta dos meus dedos
Sou capaz de imaginar
Os reflexos de luz
Que conseguirei depois lapidar
Dum pestanejar,
Transformando as noites
Em pirilampos…
 
Na ponta dos meus dedos
Esvoaço sobre o mundo
Tomando forma de miragem
Num balanço
Que lembra as árvores frondosas
Onde me abrigo.
 
Na ponta dos meus dedos
Aconchego-me num chão
Que pinto dum azul tão forte
Que me estonteia,
Que me faz sorrir,
A ponto de me banhar
Num encanto delicioso
Por tão mágico.
 

Omito que poderá chover mais tarde,

Pois que me perco nesta serenidade,
E danço

Sobre as nuvens que então desenho,

Ao som da melodia
Que flúi,

Até cair num bem-estar mais do que granjeado

Na ponta dos meus dedos agora sossegados.



publicado por Cris às 23:50 | link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

 

 

 

Não deixamos cair Outonos
Sobre as mãos
Nem adiamos Estios
Quando estamos juntos.

 

Acerco-me da maior janela,
Para desfrutar da mais bela paisagem,
A realidade a perder de vista...

 
 

Enquanto te procuro,
Ouço a voz,
O tilintar do orvalho sobre os pastos,
O canto das flores, em correrias,
Cabriolando sobre carreiros verdes...

 
 

Quando te vejo,
Ainda com o aroma do acordar nos ombros,
Estendo os meus olhos,
Até te alcançar os passos,
Até te tocar de leve,
Até te acompanhar,
Sentindo a frescura beliscar leve as nossas frontes...

 
 

E, quando já de volta,
Me dás o braço
Trazendo ramos de satisfação
Que vens pôr,
Como serenatas,
Debaixo da nossa janela,

Não deixamos cair Outonos,
Nem adiamos Estios,
Apenas nos sentamos,
Calmos,
Em bancos de Primaveras!



publicado por Cris às 01:04 | link do post | comentar | favorito





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