Domingo, 16 de Novembro de 2008

 

 

Espera encostada na soleira da véspera da bonança olhando o alaranjado que lhe dará a calma de que precisa para escolher as cores com que vai bordar todo aquele sonho que tem que traz consigo. Redundará então na certeza de se sentir feliz!




Imagem de © Jonathan Blair / CORBIS

 

Não encobre o rosto

mesmo que aguarelado esteja

de pinceladas de lágrima.

Maquilha com elas

a vontade,

delineando com um risco leve,

com um quase fio de sedução,

o olhar,

guardião de ternas expressões.

Fecha os olhos

plena de comoção,

antecipando o prazer baluarte:

esvoaçar num céu imenso,

azul

tão azul!

 



publicado por Cris às 17:41 | link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

 

 

Longe de mim, o mirante daquele sempre,

de onde nos víamos.

Longe de mim, os campos percorridos,

desenhados a quatro mãos,

frondosos de tanto momento.

 

 

 

 

Imagem de ©LGB retirada daqui

 

 

Vou deixando cair

Povoados de tristeza

Sobre um coração.

Vejo ainda arder as mágoas

Com os meus olhos

Cristais estilhaçados,

Antes caleidoscópios

Quando olhava

E te via,

Multicolor de gestos.

A noite vinha, merina,

Prenhe de oferendas,

De leitos cálidos

Onde repousávamos instantes,

Quando nos pensávamos…

 

 



publicado por Cris às 18:47 | link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

 


      

 
 
 
                  
 
 
               
 
 
  
 
 
                
 

 
cerro os olhos
encho a memória de janelas
como esta
por onde estou olhando
 
só pode ser noite
este instante
 
 

 Imagens de © Ana Rita Pinto - 2008

                 



publicado por Cris às 01:45 | link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

 

 

Imagem de ©Jennifer Kennard - CORBIS

 

 

 

Ia abrindo, uma a uma, as gavetas. Estava só, agarrada à certeza que não partilhava com ninguém, de que ele voltaria. Ainda que aquela frase a arranhasse tanto, por dentro, perdia-se, esquecia-se de tudo o mais e ficava a olhar todos aqueles objectos.

Houvera-lhe dito, anos atrás, que a casa era tão grande, desde que ele fora.

Não tardou a resposta: “Que a amaria, que só o corpo partira, mas, que ele, ele continuava, permanecia.” Ela acreditava, ela sorvia cada uma das palavras, adornando o seu sonho.

 

Abriu a vitrina, a caixinha onde guardava as coisas belas, que não amareleciam nunca. Pegou na caneta que ele lhe havia dado.

Pertencera a um Avô, dele, que ela fizera dela, também, pela cumplicidade da história bonita.

Possível morrer por Amor? Ele dissera-lhe que sim, que depois da sua Amada partir o Avô definhou. Deixou de sonhar para pensar na companheira que tanta falta lhe fazia. Durou pouco tempo. Meses depois, foi fazer-lhe companhia.

Como ela gostava de histórias bonitas! Conseguia vê-los juntos, sorrindo.

Outra gaveta, mil e um bilhetes, cada um deles embrulhado na luz tépida das palavras que não se cansavam de dizer: “- Eram felizes, tinham-se, nada ou ninguém os separaria jamais porque eram um do outro, porque o pacto que haviam feito não seria quebrado, nunca!

Foi ao quarto, olhou-o. Afagou-lhe a face, encostou-o ao seu peito, fechou os olhos.

Sobre a cómoda, os aromas de tanto gesto partilhado, quando se descobriam, se perdiam pelas vielas do corpo, iluminados pela luz do luar dos olhares que nadavam no mar de todo o amor que faziam.

Ternamente, pôs uma gotinha em cada lóbulo da orelha. Fresco, doce, bom!

“Sê minha que já sou para sempre teu!”
 

Estremeceu quando ouviu que a chave rodava na fechadura da porta … coração a bater com tanta força, tanta!...

Uns braços que a envolveram…” Cheiras a nós! Que fazias?”

Deixou que ele lhe pegasse ternamente na lágrima que teimara em querer ficar ali, no quarto, a partilhar a espera. Levou-a ao rosto dele, secou-a na face:

“-Demorei muito?”

Que não, que não demorara. Só o tempo de ela tecer no leito que logo, logo, os acolheria, a certeza que lhe fizera companhia, enquanto ele não chegava:

“-Iria haver sempre tudo entre eles, tudo!”
 

Fechou a gaveta. Lá dentro, uma história com final feliz que ela abriria, um dia, enquanto o esperasse porque gostava tanto de histórias bonitas, tal como aquela ele lhe contara, lhe dera, quando fosse chegada a hora de ir fazer-lhe companhia…

Era possível, sim, morrer de amor, e, eles, um pelo outro, morreriam.

 

 



publicado por Cris às 17:21 | link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

              

 

 

Permaneces.

eterno, enquanto dure, [ele dizia], o amor.

eterno, [ sei! ],

o que sinto...

ainda que não mais aconteça.

 

  Fotografia de ©Ana Rita Pinto 2008

 

 
 

Fui fiandeira

E fiei,

Três fios...

Do meu cabelo!

 

Com três fios,

Três cabelos,

Tornei-me, então, tecedeira!

 

Sentei-me ao tear,

E teci!

E num ocupar do tempo,

Cresceu um belo entrançado,

Manta de tão bem te querer!

 

E continuei laborando,

Tecendo, na manta, um castelo!

 

Caiu a tarde,

A noite já vai tombando.

Já te espero,

Te adivinho,

Do tear me vou levantando...

 

Espero por ti, fiando,

Mais três fios...

De cabelo.

E fio com eles a estrada,

Por onde vens caminhando!

 

Já sou agora princesa!

E tenho a maior riqueza,

De te adivinhar chegando!

E vais entrar no castelo,

Tecido na manta,

Entrançado...

Com três fios do meu cabelo!

 
 
Junho 2002

 



publicado por Cris às 14:52 | link do post | comentar | ver comentários (11) | favorito





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