Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

 

 

 

Fotografia de  © Nuno de Sousa

 

 

 

Mas é do azul

É dessa cor primária,

Primeira,

Companheira de mais duas,

De que tanto gosto!

Não esqueço o amarelo

Inundando o horizonte

Decorando o Verão.

Tão pouco ignoro o vermelho,

Esbelto na forma,

Quando, ao desaguar nos lábios,

Lembra morangos…

 

Mas é para o azul que me volto,

Por não lhe encontrar monotonia.

Basta olhar as manhãs

Para pensar naquela cor.

Basta sentar-me à sombra doce das tardes

Para ter uma forma de céu.

 

Por isso

Teimo em escrever a esta cor,

Porque sei,

Tenho a certeza,

Que ela não esquecerá

As companheiras

E acabará eternizando na tela,

A paisagem que compõe com elas,

Ao tornar numa obra-prima

O esboço que fiz,

Enquanto olhava a fantasia

Dum prado que abraçou o sol,

Dum rio que a seu lado se deitou,

E daquelas árvores,

Quais lavradeiras,

Que depois da lida

Se sentam e conversam,

Tão bonitas,

Tão trigueiras.

 

 



publicado por Cris às 18:56 | link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

 

Belos os olhos daquela vontade!

Quão mais belos se tornarão quando se encontrarem com uma outra…

 

 

 


Fotografia de  © Adrian LaRoque

 

 
 
 
Esvoaçam anseios,
Escondem-se entre os cabelos
Do mel que escorre daquele rio.
Mansa atmosfera!
Vai balançando entre sonhos,
Lugares imaginários ornados de abraços.
 
E é neste encanto cálido,
Bailando numa pista de risos
Que virá sentar-se aqui,
A vontade tatuada de tons dourados,
Iluminada por luares de beijos,
Prolongada pela música
Com sabor a mel,

Com sabor a poema.

Sentar-se-á naquele banco,

Deliciando-se com a espera

De uma outra vontade…

 

E quando ela chegar,

Habitarão para sempre aquele ensejo,

Abrindo as janelas à foz da noite,

Que sorrirá,

Enchendo o silêncio com a certeza:

De que as duas vontades,

Não eram senão duas margens

Que tanto se queriam,

E que se encontraram,

Na praia fluvial dum momento mágico.

 

 



publicado por Cris às 00:12 | link do post | comentar | ver comentários (25) | favorito

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

 

 

Fotografia de  © Antonio Amen

 

 

Visão deslumbrante.
Memória dum futuro todo ele pejado de pó de estrelas.

Ir, pelo prazer de sentir, fragmentos de recordações de mil viagens feitas sem tempo dilatadas apenas por imaginações dos que são hábeis em figurar o trilho dum rio que corre nunca para jusante.

Percorrer os descaminhos.

Repousar à sombra de árvores frondosas que não existem senão nas searas alentejanas...

 
Que sentimento é este que sentem que lhes aquieta o coração?
Que sentimento é este que os envolve?

Que sentimento é este que os une acalenta e protege, numa serenidade dourada, sem fadigas?

 

Não sabem, mas, sentem-se de todo bem, entre o divino e o profano, sentados numa das margens do rio que continua a correr, teimoso, para montante, já que para jusante correm todos os outros rios e aquele teima em correr para a fonte, em busca do tal sentimento que vai depois pousar no colo dos dois seres que numa das margens, olham o rio que lhes vai trazer fragmentos duma visão deslumbrante dum amor que só eles sentem.

É esse o tal sentimento, a oferenda dum rio em tudo desigual de todos os outros rios, que leva no seu leito o futuro, não passado, todo ele pejado de pó de mil estrelas, de mil viagens por ele feitas.

 

E o par, vê, num repouso apaixonado, o rio que lhe vai dar algo que pensava não fazer falta: a simplicidade mágica de saber ficar, unido.

Não precisavam de mais nada, mas, assim, vão dizer um ao outro, para deslumbre daquele rio:
- AMO-TE! -

...e vão deleitar-se nas águas cálidas do único rio que corre para montante, transformando um simples olhar numa visão fascinante, que já não é futuro e do qual não vai haver memória, mas, e, tão só, sentimento, todo ele pejado de Pó de Estrelas.

 

 

 

Fevereiro 2002



publicado por Cris às 17:19 | link do post | comentar | ver comentários (31) | favorito

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

 
Pudesse encontrar a escada
Subi-la degrau a degrau
Chegar ao cume
Do melhor dos pensamentos.
Acreditar por momentos
Que nada acaba,
Nada muda...
 

Imagem de © Ana Rita Pinto

 

Percorrer a miragem,
Calcorreando quimeras
Sem sofrimentos,
Sem ânsias.
Só o bafejo,
O cheiro tranquilo
Do parar dos dias.
Ver-te!
Deixar correr uma lágrima,
Só uma.
Secá-la com as costas da mão
Para que me visses,
Me olhasses,
Como quando
Não dizendo nada,
Dizíamos tudo,
Adivinhando serenidades,
Acalmias,
Os tempos belos.

 

Pudesse eu
Aprender de novo a andar
Esculpindo na textura do teu rosto
Aquele sorriso
Tão impossível nos finais felizes.
Chorava só mais uma vez,
Por dentro.
Beberia da água que chorara,
Sopraria o fim para mais longe do longe,
E olhar-te-ia
Enquanto olhavas o que levara para ti.
Não era um presente,
Era um rastro,
Eram três palavras,
Ímpares.
Era o que eu te poderia dar,
Que transportara com cuidado.

 

Pudesse eu…
Encontrar-te
E beberia saudade,
Tasquinharia ternura
E dividiríamos
A vontade de nos sentarmos
À sombra da certeza,
De estarmos juntos outra vez!
Pudesse eu...
E levava-te aquele abraço
Que me pediste para guardar
Para uma boa ocasião
Pudesse eu...
E a ocasião era agora,
E abraçar-te-ia de novo,
Pai.
 

 

 



publicado por Cris às 00:03 | link do post | comentar | ver comentários (15) | favorito





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