Terça-feira, 23 de Junho de 2009

 

 

 

Fotografia de © Yuka Shevchenko

 

 

 

Quando passeava
Por aquela terra de gestos
Era tanto.
Ausente de qualquer fronteira
Era todos os países,
Era o mundo.
Os beijos,
Lugares onde pernoitava.
O dar de mão,
Todas as pontes onde parava
Para olhar o rio.
O abraço,
O barco que tomava
Para continuar,
Após breve pausa,
Prosseguindo aquela viagem única
Rumo a um bem-querer,
Onde, então, habitava.
 
 

 



publicado por Cris às 01:01 | link do post | comentar | ver comentários (9) | favorito

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

 

 

 

Fotografia de © ioana petcu

 

 

Por vezes
basta um olhar
Outras vezes
senti-lo
[pre]enche
 afastando as vagas intranquilas.
 
 

 



publicado por Cris às 02:18 | link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

 
 
XXVIII
 
Hoje deitei-me ao lado da minha solidão.
O seu corpo perfeito, linha a linha,
derramava-se no meu, e eu sentia
nele o pulsar do próprio coração.
 

 As Mãos e os Frutos
Eugénio de Andrade
1948
 
 

 Fotografia de © ioana petcu

 

 

Noite após noite
Colocaram-se nuvens no céu-da-boca.
Estudaram-se os segredos
Enquanto sentíamos a chuva nas nossas línguas.
 
Imaginei os reflexos dos pirilampos
Que viriam servir-te de ponto
Espalhando restos de luz
Sobre a galeria de vidas que encenámos
Conhecíamos a razão do pousio das palavras
Da angústia de sentir descer sobre elas o pano.
Os aplausos eram apenas o eco
De ver uma nova personagem surgir
Sobre o horizonte da minha garganta.
Por isso decorei todos os silêncios,
Essa ante estreia de uma outra estação,
O escuro do inverno,
Sabendo dos reflexos de chuva
Que teria ainda de conhecer.
 
Tentámos fugir,
Mas não era esse o ponto forte.
O ponto alto?
Foram os obstáculos,
As sementes de tempestades
Escondidas nas nuvens do céu das nossas bocas
Que fomos suportando.
 
Sentei-me na primeira fila
Para ter a absoluta certeza de que me verias
Ainda que fosse eu
A tua única espectadora.
 
Não aplaudi no fim.
Já sentia um lago de lágrimas
No meio dum publico,
No meio de mim.
Esperei que todas as luzes se apagassem,
E, então sim, chorei no escuro
Para que nenhuma porção de mim me visse.
Depois
Fugi daquele lugar,
Fugi,
Tropeçando nos soluços,
Chegando quase a cair
Naquela tão triste forma de amar.


 



publicado por Cris às 03:23 | link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

 

Dez anos.

Não calculas o que aconteceu desde então, desde que disseste, depois de te manteres em silêncio todo aquele tempo, que “estavas pronto, que podias ir”.

Será que nos ouves, aí em cima? Todos os nossos silêncios, todas as nossas saudades?

Será que ouves todos abraços, todos os beijos que, tanto gostaríamos que fossem iguais aos teus, quando ao abraçares a mãe, nos abraçavas?

Onde quer que estejas, não deixes de nos olhar e desculpa continuarmos a pedir-te tanto, tanto!

Lembras-te quando, a brincar, nos dizias que iríamos sentir a tua falta?

Nós ríamos e dizíamos que não!

 

Olhamos as mãos, afagando ternamente aquela tua pergunta.

Choramos.

Imaginávamos lá como a saudade se tornaria tão incomensurável.

Imaginávamos lá a felicidade que era chegar lá a casa, agora, olhar o sofá, e, não ver assim, tão cheio de um vazio tamanho!

Nunca se está pronto, acredita.

Dez anos., Pai

Acredita que ainda nenhum de nós está pronto para te pensar e não conseguir dizer mais nada a não ser o quanto desejávamos que estivesses aqui.

 

 

Fotografia de © AUGEN-KLICK

 

 

Ver-te! Ainda que por um segundo
Imaginar que estás na sala...
Rindo, gargalhada cheia, sonora,
Intensa, transbordando alegre
A tua tão terna forma de amar!
Tu! Tão grande, tão gaiato, tão Pai!
Oh! Como dói saber o que é saudade!

Já sequei as lágrimas
Os meus olhos tornaram-se baços,
Secaram, fizeram-se desertos
E nem sombra dum oásis.

Serenamente, sem um adeus ou um até já
Olhos postos na tua mulher, companheira e mãe
A janela pediste para abrir,
Rindo, como só tu, boca cheia de alegria,
Esperaste que nos distraíssemos e...
Sorrateiramente... foste, Pai, embora.

Dói, saber o que é saudade!
E...

Mesmo sabendo que nos estás olhando
Imaginando-nos na sala, tentando
Rir, lembrando a tua gargalhada cheia,
A noite vem devagar, trazendo com ela um
NUNCA MAIS!
Dói, Pai, saber o que é saudade,
Aquela certeza de que, na sala, o sofá está vazio!

 



publicado por Cris às 00:42 | link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

 

 

 

 

Fotografia de ©  Ana Rita Pinto

 

 

Estende-se a noite pelo chão

aqui,

neste bocadinho.

Quando nele lhe pousares os olhos

vou ver o mais belo luar

pousado num imenso azul

que,

só para mim,

não é de mar...

 

 

 



publicado por Cris às 01:55 | link do post | comentar | favorito





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