Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

 

 

Comovem-me todos os teus gestos, emociona-me esse teu olhar.

Aprendo-o contigo não da mesma forma que tu já que o teu é único, tem aquela cor indefinida, tão terna, aquela que o teu companheiro dizia ser tua apenas no momento em que o olhavas, e que, ao olhá-lo, nos beijavas. Depois, era vê-lo irradiar alegria pela partilha que experimentávamos.

Tudo é sempre nosso, nosso, tão ternamente nosso.

Não existiram nunca quaisquer portas no lar dos abraços que davam pois que houve sempre lugar para nós.

Sou feliz por te saber aqui. Sou feliz quando em ti me abrigo e as tuas mãos me percorrem as incertezas.

Mentir-te-ia se te dissesse que não choro, mas, dou-te a certeza que sei que gostas de guardar, da promessa de que sempre que te ouço, me acalmo, que ainda que pareça inquieta, saio do regaço do teu beijo segura de que vais comigo e que, Lá de Cima, ele, o teu companheiro, sorri, irradiando aquela alegria de que tanto gostamos.

Pouso-te na palma das tuas mãos este poema por sentires saudade dum abraço. Saboreia-o pois são dele as palavras. Eu? Apenas ergui os meus braços para as agarrar enquanto ele me segredou que nos olha, que se vai sentar sempre naquele lugar virado ao nascer do sol do teu riso, e que, não há nada mas nada que o faça mais feliz do que te ver sentir o seu abraço sempre que te dizemos o tanto que nós te amamos.

 

Imagem: © Rodney Hyett; Elizabeth Whiting & Associates/CORBIS

 

 

Entrei em casa, pousei o casaco, a mochila. Fui ao vosso quarto. Quando ia para lhe dar um beijo…não estava.

Já estavas atrás de mim, e, antes que te perguntasse fosse o que fosse, disseste-me:

-Está na cómoda. Ao mudar as flores entornei a água. Para que não se molhasse, está frio, achei que ficava mais confortável ali.  

-Eu sei, Mãe. É apenas uma fotografia, eu sei. Mas este beijo que lhe venho dar é tão cheio de tudo o que me apetece sempre dizer-lhe passe o tempo que passar!

-Querida, hoje, mais do que nunca, queria tanto um abraço!

Não te deixei dizer mais nada. Dei-te um beijo, saí do quarto, voltei a entrar, e, dei-te outro e outro e outro…  Riamos.

Viemos para a salinha e perdemo-nos a conversar.

 

 

Imagem: ©Gareth Brown/Corbis

 

 

Falei com o teu Amigo, sabias?

O teu companheiro,

Que te enchia as horas de açúcar...

Falei com ele, pelo acordar da madrugada!

Vinha de te ver dormindo...
De te aconchegar num beijo,
Para que sentisses o calor
Deslizar pela dobra do lençol,
Do bragal por ti bordado...
 
Abanou o meu sono, devagar...
Não acendi luzes,
Que a manhã já abrira os olhos.
 
Conversámos tanto!

E contou-me que já sabia agora

Dessa cor dos teus olhos...

Que vinha mil vezes aconchegar-te

Com abraços apertados...
E que te amava mais e mais!
Que adorava ver-te,

Ouvir-te cantar aqueles fados

Enquanto lhe falavas de nós.
 
Que se havia sentado,
Olhando o quintal
Vendo como colhias
A fruta madura
Das árvores que plantaram juntos...
 
Que estivera na sala,
Que te vira,
Te adorara,
Enquanto nos ensinavas
A ser um dia como tu...
Tão mãe! Tão linda!
 
Chorámos
Os dois...
Falei-lhe de nós.

Falei-lhe da saudade que sentíamos

Falei-lhe de tudo!
 
Ele continua igual
Tão doce,
Tão bonito como era!
Trazia nas mãos flores
Cheirosas
Campestres...
Colhera-as na serra,
Contigo,
Para ti...
 
Disse que tinha de ir agora
Velar esse teu belo acordar
Abrir-te os olhos da alma
Orvalhá-los com a comoção
De quem sabe amar...
 
Deixou o ramo comigo
Com um recado breve.
Trago-to,
Vou dizer-to,

Enquanto pouso o ramo de flores

Na sala...
Mais tarde levo-to.
Agora,
Vou dar-te o pensamento
Desse belo companheiro
Que te fez feliz...

" És linda! A mais linda das mulheres! "

  

Ele é mais bonito que um anjo sabias?

Tão feliz, com aquele ramo,
Este que pousei na sala
Que te vou levar,
Com um recado breve,

O pensamento que há pouco te contei...

 
Obrigada, Mãe.
Obrigada por seres assim,
Tão nossa,
E tão,
Para sempre...
Dele!
 

 

 

 



publicado por Cris às 00:13 | link do post | comentar | favorito

13 comentários:
De Nuno de Sousa a 1 de Fevereiro de 2009 às 23:08
Belo o teu olhar por um texto grande e cheio de beleza.
Bjs Cris,
Nuno


De Claras Manhãs a 12 de Janeiro de 2009 às 01:01
Docinho

só vim agora, vê lá tu que o internet explorer não me deixava comentar, aqui.
Há cada uma!
É sempre tão lindo o teu sentir, então com os teus pais...
Terás sempre uma parte feliz, minha querida, por muito que aconteça.

Beijo enorme


De Cris a 12 de Janeiro de 2009 às 01:56
Momentos há em que me deixo envolver numa apatia tremenda...Mas tenho aqui não uma, mas duas vozes, que me dão uns "abanões" e, que me dão na carola :) sentadas naquele nosso sofá, esqueço tudo o mais que me consome, e sinto a deliciosa felicidade de as ter...
Depois, chega mais uma... aí, então, ai!, já são três e vejo o quanto que tenho por estar rodeada não por uma, mas, por três Mães!



Beijo, Querida.



De Conceição a 10 de Janeiro de 2009 às 21:51
li e li devagar deiando cada letra, cada sentimento ecoar e fica a vibrar em minha alma. Amor e Ternura docemente conjugados.
sem lamechice.
Só AMOR.
Daquele k sabe ser intemporal e...incondiconal.
Obrigada por esta partilha tão rica de humanidade.
~~~~~~ * * * * * * ~~~~~~
Deixo-te um desafio.
Está postado na minha casota.
Bom f.s.
Bjs
Luz e paz


De Cris a 10 de Janeiro de 2009 às 22:34
Todos os mimos são poucos para acalentar a nossa Mãe.És um doce, TMara.
Beijo amigo e um bom fim de semana para ti e os teus.


De Fatyly a 10 de Janeiro de 2009 às 21:29
Olá fiota mais nita e mal consigo ver as teclas. Emoção? claro que sim, porque esse amor que tens pelos teus pais é a mesma que eu tenho pelos meus e como escreves tão docemente e belo demais.

Gostei muito e toma lá aquele abraço quentinho de sempre:)


De Cris a 10 de Janeiro de 2009 às 22:29
Eu sei, Mãezona.
Que bem que sabe esse abraço!




De Paulo Mello a 10 de Janeiro de 2009 às 15:33
Prezada Cris, fiquei imensamente feliz com a atenção de tua resposta no outro blog.

Por ora, passo apenas para agradecer-te e dizer que oportunamente darei teu recado para a Calunguinha.

Quero vir com calma para conhecer mais este espaço teu que, já de início, mostra ter o mesmo primor e qualidade do outro.

Ficam meus respeitos e consideração,
PMello


De Cris a 10 de Janeiro de 2009 às 22:38
Obrigada, Paulo. Vem sempre que queiras. Um beijo amigo e o desejo duma recuperação rápida para a Calunguinha.Logo logo estará ainda mais bonita, vais ver :)
Tudo de bom para ti.


De mariz a 10 de Janeiro de 2009 às 05:15
Que doce sentir...
Que suave acordar...
Que sonho chegará depois?
Que lar, que flores, que pulsações,
que leveza entre gerações
Antes e depois de TI...
Será Cris?

Tens um presente lá...toma-o como te apetecer...

Sempre...

Mariz


De Cris a 10 de Janeiro de 2009 às 13:49
Como filhos, Mariz, temos a maior fortuna!
Bem certo que não importa nada mas nada do que possa ser material. Importa sim esta sensação que trazemos sempre connosco: termos, sempre, sempre, um Terno Olhar a acompanhar cada um dos nossos passos.
Um beijo muito amigo, Doce Mariz


De batista a 10 de Janeiro de 2009 às 02:29
cheguei em casa tarde da noite. deixara o mano mais moço em sua residência. a vontade que eu tinha era só dormir. mas antes, uma espiadinha n'alguns blogs mui queridos. ainda bem que o fiz. que maravilha de postagem, Cris!

a ti e a senhora sua Mãe, beijos carinhosos.


De Cris a 10 de Janeiro de 2009 às 13:52
Obrigada, João.
Estou certa que olhas os Teus com esta forma tão bela de Olhar.
Dou com todo o prazer mil beijos a esta Senhora tão bonita, a minha Mãe.


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