Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

 
Olhar o mar…
Como se olha para o céu…
Como se olha para o campo...
 
 
 

Fotografia de © Cees Kuijs

 

 

 

 

 

As estrelas estão lindas, brilhantes num firmamento trigal.

Os peixes são agora papoilas, e, as ondas mil flores silvestres, ondulando sob nuvens, vagas de espuma em flor!

As algas entrelaçam-se, trepadeiras, namorando os astros quais frutos em árvores frondosas!

O coral é já sol-posto, repousado em rochedos, horizontes, sobre oceanos, prados a perder de vista...

Já se adivinha o encanto...
A maré-cheia corre. Estende seus braços de água, e, transformada em ribeira, ladeia, cantarolando, o imenso areal dourado, qual eira, enchendo-a duma frescura tão marinha, tão campestre!

Brotam os búzios viçosos, as conchas são borboletas com asas de madrepérola. Cantam com voz de aroma de marés vivas sobre campos azuis, prontos para serem ceifados.

 
Dormem os pescadores.
Descansa a faina...
Sonham que são lavradores...
 

Veste-se a praia de verde e pede à noite que se junte à fantasia que lhe traga o vento para com ela bailar ao som da melodia das dunas tão moçoilas, lindas ceifeiras!

Lá longe a montanha sorri e a festa vai durar. Vai estender-se pela madrugada até que o dia os avise que é tempo de recolher porque a noite quer ir deitar-se e o sol-posto vai ser de novo coral...

 
Descansa o encanto enroscado nos braços do dia deixando viva a promessa de que vai voltar…

Trará com ele a noite e será outra vez festa, num campo verde... no mar!

Fará os pescadores dormir de novo, repousando da faina, sonhando que são lavradores...

E a praia vestir-se-á de verde. Bailará descalça, varina, com a brisa, o xaile que lhe adornará os ombros, num mar vestido de campo, olhada pelas dunas ceifeiras, nos braços ternos do vento!

 

 

 

Julho de 2002

 

 



publicado por Cris às 23:22 | link do post | comentar | favorito

18 comentários:
De Helena Paixão a 12 de Fevereiro de 2009 às 21:58
Ao ler este teu sublime texto voltei a ser menina, quando lia histórias de fantasia em que o que era, não era, mas era!, e fazia a imaginação dar voltas mirabolantes na minha cabeça.
Resumindo, adorei!!!
Bjocas amiga.


De Fénix a 30 de Janeiro de 2009 às 21:32
Claro que sim. É um privilégio.


De Fénix a 30 de Janeiro de 2009 às 11:51
"...as conchas são borboletas com asas de madrepérola..." Adoro a surrealidade do texto, acompanhado por um "delicioso campo de trigo, papoilas e chicória."

;)


De Cris a 30 de Janeiro de 2009 às 22:59
Obrigada, Fénix :)
Deixar a imaginação ir até onde ela quiser é óptimo.
Soube-me tão bem escrever em 2002 como voltar a colocá-lo aqui, passado este tempo.
Vem sempre que te apeteça.
Beijo


De LORENZO MONSANTO a 29 de Janeiro de 2009 às 22:53
Back From the Dead...


"Olhai os lírios do campo..." Foi com isso que fiquei...


De Cris a 30 de Janeiro de 2009 às 22:41
:)
Não havia pensado nisso, Lorenzo.
Bom ver-te de volta com o "baú" a abarrotar!

Beijo e bom fim de semana


De Daniel Aladiah a 28 de Janeiro de 2009 às 17:00
Querida Cris
Poema que rima com natureza.
Um beijo
Daniel


De Cris a 30 de Janeiro de 2009 às 22:35
Daniel, meu querido,
Já escrevi isto há uns anos mas sempre gostei imenso deste texto.
Beijo e um fim de semana com um cheirinho a...campo de mar :)



De Paulo Mello a 27 de Janeiro de 2009 às 13:21
Cris, vim trazer uma notícia que bem sei há de te alegrar: a "Calunguinha" chega hoje ao Brasil onde estará se recuperando junto aos familiares e amigos.

Estou uma "manteiga derretida" de tanto que já chorei de felicidade.

Desejo-te um dia excelente junto aos teus e deixo meu abraço fraterno em respeitosos cumprimentos.

PMello


De Cris a 30 de Janeiro de 2009 às 22:33
Gostava imenso que me desses o contacto da Calunguinha, Paulo.
Imagino como estás feliz :) E a nossa menina, então?? Dá-lhe um grande beijinho meu e tal como te disse, vês que não tarda aquele momento menos bom é passado? Agora é andar para a frente, né? Claro que sim.
Tudo de bom para ti e os teus.



De mariz a 24 de Janeiro de 2009 às 06:00
Salvé Cris

Apenas para desejar bom fim semana e dizer que tens lá
2 prémios:

1º - Beautiul Blogger
2º Dardos
3º meu award - que não é prémio é uma recordação de algumas letras escritas e do que ficou por dizer.

Sempre
Mariz


De Cris a 24 de Janeiro de 2009 às 17:08
O melhor prémio é o teu abraço verdadeiro, *Mariz*.
Um campo de mar de sorrisos para ti.
Bom fim de semana, Amiga



De Claras Manhãs a 22 de Janeiro de 2009 às 17:09
Repete todos os que possas, se faz favor.
temos de conhecer todas estas belezas que guardas.

beijinho grande, Cris


De Cris a 22 de Janeiro de 2009 às 19:43
E tantos que, infelizmente perdi, Minucha :( Vou tentar recuperar alguns. É curioso ler o que há tanto tempo se escreveu.
Beijo e obrigada.


De Paulo Mello a 22 de Janeiro de 2009 às 11:20
Cris, que beleza de imagens tu soubeste criar para nos fazer sentir o mar como um campo... e indo mais além, com o campo pensando no mar... ficou tão bonito o que escreveste!

"Dormem os pescadores.
Descansa a faina...
Sonham que são lavradores..."

Que coisa mais bonita, Cris!

Fiquei aqui pensando com o que realmente sonharia teu coração em julho de 2002 para criar uma página tão poeticamente perfeita. Sonharias com o mar ou com o campo? Não importa, pois nos trouxeste ao olhar uma lembrança de tão grande porte. Muito obrigado por tê-la partilhado conosco.

Meus cumprimentos num afetuoso abraço,
PMello


De Cris a 22 de Janeiro de 2009 às 19:46
Gostei particularmente da música que é um Vira do Minho (tão típico da região onde vivo) aqui tocado pelo Quinteto de Jazz de Lisboa.

Gosto tanto do mar e gosto tanto do campo.
Deu vontade de ir procurar ao baú...

Abraço amigo, Paulo.


De Fatyly a 22 de Janeiro de 2009 às 10:59
Como foi bom reler esta magnífica prosa poética com um final soberbo.

Gostei muito de vir até aqui e só peca PELA LETRA TÃO PEQUININHA":))))))))

Uma beijoca da tua mãezona.


De Cris a 22 de Janeiro de 2009 às 19:49
Já está corrigido o tamanho, Linda. Bem me queria parecer que havia ficado pequena :)))
Tu conheces quase todos os meus textos, Mãezona. Havia sempre duas pessoas que eu adorava que fossem os primeiros a ler e, ainda gosto, claro que sim.
Mil beijos, Migota Mais Nita.


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