Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

 
Pudesse encontrar a escada
Subi-la degrau a degrau
Chegar ao cume
Do melhor dos pensamentos.
Acreditar por momentos
Que nada acaba,
Nada muda...
 

Imagem de © Ana Rita Pinto

 

Percorrer a miragem,
Calcorreando quimeras
Sem sofrimentos,
Sem ânsias.
Só o bafejo,
O cheiro tranquilo
Do parar dos dias.
Ver-te!
Deixar correr uma lágrima,
Só uma.
Secá-la com as costas da mão
Para que me visses,
Me olhasses,
Como quando
Não dizendo nada,
Dizíamos tudo,
Adivinhando serenidades,
Acalmias,
Os tempos belos.

 

Pudesse eu
Aprender de novo a andar
Esculpindo na textura do teu rosto
Aquele sorriso
Tão impossível nos finais felizes.
Chorava só mais uma vez,
Por dentro.
Beberia da água que chorara,
Sopraria o fim para mais longe do longe,
E olhar-te-ia
Enquanto olhavas o que levara para ti.
Não era um presente,
Era um rastro,
Eram três palavras,
Ímpares.
Era o que eu te poderia dar,
Que transportara com cuidado.

 

Pudesse eu…
Encontrar-te
E beberia saudade,
Tasquinharia ternura
E dividiríamos
A vontade de nos sentarmos
À sombra da certeza,
De estarmos juntos outra vez!
Pudesse eu...
E levava-te aquele abraço
Que me pediste para guardar
Para uma boa ocasião
Pudesse eu...
E a ocasião era agora,
E abraçar-te-ia de novo,
Pai.
 

 

 



publicado por Cris às 00:03 | link do post | comentar | favorito

15 comentários:
De Adrian LaRoque a 22 de Fevereiro de 2009 às 19:39
Este tocou-me por várias razões, excelente pelas palavras pela sensibilidade. Obrigado pelas palavras. E tenho sim a dizer que foi a Helena que me trouxe aqui porque não! Se não fosse por a Helena vc não teria descoberto o meu blog. Parabéns para a Helena.
E um grande abraço para si.


De Cris a 23 de Fevereiro de 2009 às 01:09
Este é dos textos bonitos que guardo. Aquela janela era olhada pelo meu Pai vezes sem conta.
Obrigada, e, claro que sim, não fosse a Helena e o Nuno e eu não teria já encontrado tanto espaço bonito.
Um abraço e boa semana aí desse lado do Atlântico, Adrian



De mariz a 18 de Fevereiro de 2009 às 20:06
Salvé Cris

In Excelsis Deo


Percebo, sinto, entendo.

Mas...deixa partir....
Deixa inconscientemente de "chamar"
Deixa-o aprender mais, para que depois os "sinais" se
façam cumprir...
Deixa tudo aquilo que já foi...PÓ!
Deixa que sintas apenas a LUZ!

sempre...
Mariz


De Cris a 19 de Fevereiro de 2009 às 21:05
Se entendes, lê e sente como deve ser, de facto, sentido.
Há a recordação boa. Não há "chamar por ninguém".
O meu pai partiu na hora devida.
Isso não impede que o recordemos com todo o amor, com todo o respeito, com um carinho imenso.

Beijo, Amiga.
Grata pelo cuidado.



De Fatyly a 15 de Fevereiro de 2009 às 09:32
Só hoje é que esta foto abriu, o meu pc por vezes dá-lhe a pancadite...e voltei para dizer que é linda, linda, linda!!!!

Beijocas


De Cris a 15 de Fevereiro de 2009 às 15:15
Passados 10 anos, a neta foi sentar-se ali, onde ele se sentava. Quis sentir o que ele sentia.Conseguiu.
Pena que a imagem perca tanta qualidade quando posta aqui :( É um preto e branco notável, pleno de cor!
Um beijo doce, Amiga.


De Beatriz a 14 de Fevereiro de 2009 às 12:59
Cris, uma corrigenda:

levar-te pela mão... ao invés de 'levá-la'

pois o nosso amigo Paulo deu uma de 'corretor ortográfico' de plantão e fez este reparo (rs).


De Beatriz a 14 de Fevereiro de 2009 às 12:02
Cris, a um simples olhar já deu para perceber que o teu ‘Lugarejo de Palavras’ possui a mesma magia que tempos atrás me levava a procurar por tuas palavras de algodão.

Ao te ler agora fui acometida por um sentimento tão grande de ternura que me reportei a outros poemas teus dedicados aos teus Pais. O carinho, a admiração e o amor com que falas desses dois seres que te trouxeram ao mundo, toca-me profundamente. É belíssima a postagem que intitulaste O TEU OLHAR, bem como esta de agora. Vieram-me lágrimas aos olhos, tamanha foi a emoção sentida. Tenho certeza, meu anjo, de que teu Pai, de onde estiver (e certamente só pode estar aconchegado no coração de Deus), espalha sorrisos pela imensidão azul toda vez que te lê, e acredito que esteja sempre a derramar muito Amor em volta dessa família tão bonita que ele formou aqui na Terra.

Quanto aos outros poemas, tua escrita continua a me fascinar como outrora já o fez. Muitas vezes mergulhei nas tuas palavras de uma forma tão profunda que emergia convicta de que aqueles versos e imagens poderiam ter sido criados por mim, tal era a identificação dos meus próprios sentimentos e emoções com a tua maneira de se expressar.

Hoje não foi diferente, e estou aqui fazendo algumas reflexões: se alguém pode adentrar o mundo mágico dos poetas com tanta desenvoltura, colher versos de forma tão espontânea, e ofertá-los de maneira tão afetuosa aos amigos, só pode mesmo ter nascido nos braços da Poesia.

Tive alguns blogs (já encerrados) que foram criados no intuito de registrarem determinados períodos de minha vida. Agora, que estou iniciando um novo ciclo existencial, criei um novo cantinho onde pretendo aconchegar emoções e sentimentos numa escrita que não ouso chamar de ‘poesia’ para não ofender os verdadeiros poetas (rs). Se tiveres um tempinho e quiser conhecer o meu novo refúgio, terei imenso prazer em levá-la pela mão por alguns dos meus novos caminhos.

Vou tentar justificar este excesso de escrita dizendo que a culpa é tua, por ter feito do teu Lugarejo de Palavras um lugar fascinante, que nos atrai pela magia dos teus versos e desperta em nós a vontade de colocar para fora as sensações das quais somos acometidos.

Pelos votos formulados através do Paulo, e pelos beijos que enviaste (e que ele, folgado que é, quis dar pessoalmente, rs), o meu sincero agradecimento.

Virei visitar-te mais vezes para continuar a encantar o olhar, enternecer o coração e iluminar a alma com a tua Poesia.

Fica um beijo carinhoso enlaçando uma orquídea lilás, um mimo do meu para o teu coração.

Com afeto,
Beatriz
(para ti, Calunguinha)


De Cris a 14 de Fevereiro de 2009 às 14:51
Exageras, Calunguinha :)
Neste lugarejo sinto-me em sossego.
Fico toda contente por te saber de volta!
O Paulo vem aqui amiúde e fala-me de ti, tanta vez.
Um beijo amigo.
Para mim vais ser sempre a Calunguinha.
Vou visitar-te, sim!


De Fatyly a 13 de Fevereiro de 2009 às 21:59
que te dizer?...que sinto o que escreveste e ainda hoje oiço o assobio do meu pai para irmos ao café e que tanta falta me faz...tanta...no seu jeito "p'ra frente é que é o caminho".

Lindissimo, aliás escresves ternura.

Beijos fiota linda e nunca se sabe se eles não estarão na converseta a darem-se lindamente?:)


De Cris a 14 de Fevereiro de 2009 às 14:42
Ficamos assim, sem saber bem se é ele, se não, se é este desejo de tanto o querermos aqui, perto, ao nosso lado.
Imaginá-los a conversar, Fatyly? :) Será? Eia, miúda, que tanto devem estar a rir, já pensaste?

Beijo e um fim-de-semana feliz para ti e todos os teus




De Paulo Mello a 13 de Fevereiro de 2009 às 12:48
As mãos a transbordar de saudade... ai como entendo de saudade, Cris, em todas as suas formas e nuances. Parece até que já nasci envolvido por um manto chamado saudade, de pais que não conheci, e agora mais recente, de um pai que se foi de uma forma tão repentina. Restamos eu e o filhote, por isso o meu entendimento deste mundo tão vasto de saudade.

Devo dizer que teu poema, apesar da perda sofrida, traz em cada palavra um halo de esperança, e fala de uma saudade até gostosa de ser sentida. Mais uma beleza de criação literária que saiu do teu bonito coração, Cris.

Receba meu afetuoso abraço e os votos de um final de semana cheio de PAZ e LUZ junto aos teus.



De Cris a 13 de Fevereiro de 2009 às 20:07
Paulo,

Um abraço. Não perdeste um Amigo. Ele continua aí, nos vossos corações, tal como o meu está, aqui dentro. Hoje faria 83 anos.
Não consigo dizer-te nada a não ser desta saudade, passe o tempo que passar.
Vou na rua, tanta vez, e, parece que o vejo.
Era uma delícia vir rua fora à conversa com ele.

Por tudo, pus, de novo, este poema aqui. A outra metade dele, a minha Mãe é uma ternura e continuamos os nossos passeios, braço dado.
Sei que ele sorri quando nos olha.

Beijo carinhoso ao teu filhote, Paulo.


De LORENZO MONSANTO a 13 de Fevereiro de 2009 às 10:17
Entendo. Compreendo essa dor. Nem que fosse só por um dia, não era? Tivéssemos nós esse poder.

Dentro do teu coração. Aprendi a ir visitar lá as pessoas que se foram...

Beijo


De Cris a 13 de Fevereiro de 2009 às 20:16
Não é dor, Lorenzo. É saudade daquela conversa maravilhosa. Era um Amigão, sabes! "Invejável" a relação que mantínhamos os dois. É a falta daquele telefonema só para me dar um "Alô, Cristal, estás bem?"
Até das nossas acérrimas discussões tenho saudade :) Amuávamos mas, passados que eram 5 minutos já andávamos à volta um do outro.
Tão bom que era e tão bom que é ir ao "coração" buscar este abraço de recordações bonitas.
Beijo Amigo, Lorenzo.
Sei que entendes o motivo por que me tocou tanto aquela "tua conversa" com o teu Pai.
Obrigada, mesmo!


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